Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

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Como é que se vive noutro sítio? Já andei por tantos lados e nada.

Nas outras cidades não se encontra quem se quer encontrar, nem se encontra quem não se quer encontrar.

Até podia falar do rio e do sol que me aquece a cara, e do chiado e de tudo.
Mas esta cidade umas vezes põe-me a mão no ombro, outras vomita-me encontros que não queria, umas vezes deita-se comigo, outras não me deixa dormir.
È sempre bom sair para voltar a casa. Até já, volto dentro de dias.

publicado por zéoliveira às 16:18
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Ocupado a olhar e a tocar noutras vidas, tem faltado o tempo para esta janela mal fechada.
Mas ocorre-me que falta descrever uma coisa, uma sensação estranha. Uma sensação de desarrumação, que podia fazer um pouco mais e melhor, que se está a deixar muita coisa andar.
Não é importante, não é o sentido da vida - “afinal a vida é só isto?”, é mais comezinho, mais prático, é ao fim de demasiados dias uma insatisfação interior, como se tivesse jogado para o empate contra uma equipa de qualidade inferior, como se estivesse descontente com a preguiça.
Desgosta-me a competição com os outros, nunca fui capaz, o problema que tenho é comigo. Terei de fazer um esforço.

publicado por zéoliveira às 15:59
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Sábado, 22 de Outubro de 2005

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Metade das pessoas não vê metade da cidade. Nas traseiras dos quarteirões, nos logradouros dos prédios também é cidade. Talvez aldeia-cidade, com nespereiras, jardins, gatos, pássaros. Também com jogos de futebol e de matraquilhos, e churrascadas e sardinhadas, e velhas a estender a roupa.
Não me espantava se os duendes da F. dormissem aqui algumas noites, parece-me o sítio indicado.

Preguiça de quem está a projectar uma estrutura, com tecnologia que a pouca inteligência tem dificuldade em digerir... mas virado para um bosque, nas traseiras do prédio do meu escritório.

publicado por zéoliveira às 14:03
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doença medicamente diagnosticável

Estou com febre, mas desta vez é da gripe, porreiro!
Suo como um porco, tomo banho 3 vezes por dia, por estar tão quente, mas é fantástico, é da gripe!
Um estado febril, medicamente diagnosticável, e fácil de explicar, tem um nome que posso dizer – GRIPE!
Sem retorcimentos e devaneios psico-qualquer-coisa... sabes, estou com gripe, é só isso, e pronto!

publicado por zéoliveira às 13:39
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005

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VOU PÔR AQUI O ÁLVARO DE CAMPOS PRA LER QUANDO ME APETECE

ORA ATÉ que enfim..., perfeitamente...
Cá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,

E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

publicado por zéoliveira às 15:47
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Anda por aqui uma discussão...deve-se filtrar, censurar o que se escreve nestes sítios? Não há resposta, há respostas. Se se está a despejar, somente a despejar, não faz grande sentido filtrar, não há separação de resíduos. Se o objectivo é outro, a resposta então será diferente.
Por isso não se chega a acordo na discussão, por isso vos digo que quem aqui estiver, está a olhar para um caixote, não para uma síntese editada ou algo semelhante.

publicado por zéoliveira às 13:59
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kh.jpg
À falta de melhor ideia vai-se fazendo o que apetece. Enquanto os apetites não morrem é isso mesmo que tem de ser.

Uma ideia de ser intocável, uma sensação de ninguém cá chegar tão abaixo que consiga tocar.

Em rigor, primeiro estranha-se depois percebe-se o que é isto... é adormecer uma parte, como não ter um rim, funções só as vitais.

É claro que ninguém percebe, é claro que intriga quem vê, quem tenta descer, quem acredita que desceu.

publicado por zéoliveira às 12:32
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2005

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elevador.jpg
Ainda bem que a cidade não é plana. É cordial que seja como nós, com acidentes no percurso, como que por irmandade.

Quantas colinas temos não sei. Só depois de as subir todas com entusiasmo e acabar a descer aos trambolhões.

Coincidência seria morrer com as cicatrizes de 7 colinas bem marcadas, com mais uns relevozitos pelo meio.

publicado por zéoliveira às 16:57
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mat2.jpg
no meu jardim o benfica será sempre glorioso!

publicado por zéoliveira às 16:37
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

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ocxjalm.jpg
Chove a cântaros, não importa.
Está a noite a molhar a cidade e a cidade a constipar-me os ossos.
E o calor que se tem, às vezes é suficiente para estes frios.
Mas hoje nem por isso, hoje está a chover cá dentro também.

publicado por zéoliveira às 16:31
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sem nome1office.jpg
despiu-se a prisão

publicado por zéoliveira às 00:47
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Domingo, 9 de Outubro de 2005

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image_00321.jpg

Até o estômago já percebeu, que cá em cima não está ninguém ao leme.
Nem todos os dias é doce estar assim. Nem todos os dias apetece não ver para a frente.

publicado por zéoliveira às 22:13
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2005

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amorexplode.jpg
"quando a parte esquerda do peito explode"
afixado numa parede de Lisboa - não sei quem é o autor

publicado por zéoliveira às 16:35
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Comunicar, de formas diferentes para entes diferentes.
Com a voz, com a pele, com os olhos
Temas recorrentes, conversas circulares.
Variações da mesma conversa com os mesmos dois.
Voltamos sempre a falar do mesmo.
Acabamos sempre a olhar-nos de forma igual.
E tocamo-nos e agarramo-nos do mesmo modo.

Acha-se o que nos une, e não se sai dessa viela.
Acha-se o tema, ou o ponto sensível do corpo, ou o olhar que nos toca.
Pode-se viver num círculo fechado, desde que a tocar com o corpo todo.

publicado por zéoliveira às 02:18
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Num corredor com muita luz, a ponta de um fio.
Num lugar junto à água, um corpo inerte.
Na ponta do fio começa ele. O corpo está a parecer já morto

Em todos os corredores de todos os rios e em todas as praças de todos os mares.
Achar o fio da meada

Classicamente vos digo que os fios também podem ser de água.
Que os corpos também podem ser terra. Que o mar nunca será inerte

Enigmam estes espaços com linhas a atravessar. Com águas e mares lá dentro.
Com cadáveres a boiar

publicado por zéoliveira às 02:15
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Insensato, demente, ligeiramente abaixo da consciência.
Talvez nalgum lugar se veja.
Talvez o instinto te grite à noite coisas que nem adivinhas.
Talvez o meu sonho te tenha construído um pedestal.

publicado por zéoliveira às 02:13
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005

Atrás da gaveta

Na parte de trás de uma gaveta, num roupeiro da minha avó está escrita uma frase.
É uma espécie de grafitti centenário, e diz, "Morte ao Rei".

Faz hoje anos que deixámos de ser uma manada, em que filho depois do pai dita o destino do grupo.

Morte aos Reis e outras animalices!

publicado por zéoliveira às 16:41
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2005

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Esta coisa, este blorrgghh. Não sei porquê, nem sei para quê.
Apetece-me apertar-lhe o pipo, o gasganete, partir-lhe a rótula da perna esquerda.

Já me nauseia por vezes, este blorrgghh.
É demente, egocêntrico, inseguro, intrometido e vertido e cuspido e mais.

Hoje estou com vontade de assassinar este blorrrrrggghhhhhh.
Com faca e alguidar, numa rua escura em Alfama, para não ser visto.

publicado por zéoliveira às 19:34
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005

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train.jpg
Curioso... acabei de o descobrir, ser prático tem consequências.
Reparo que nunca esperei depois do fim.
Não se espera o comboio depois de ele ter saído da estação.
Isto não é muito vulgar, ao que me dizem.
O hábito é correr atrás da última carruagem... correr para trás, parece.

Outra consequência de ser prático é continuar à minha espera porque não me vi passar.
Evidentemente ainda estou para chegar.

Mas não existe impaciência por não saber a que horas chego.
Doloroso é o suor frio. Mau agasalho este para dias tão inconstantes.

Nota
Estou a mentir descaradamente, não porque não pense assim, mas porque esta ideia tem uns dias, e hoje sendo verdade, é completamente irrelevante.
Outros comboios noutras estações.

publicado por zéoliveira às 19:21
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Ter fome, muita fome. Ter frio, muito frio.

Só há metáforas sem fome nem frio, só há metafísica depois dos outros instintos.

É preciso um sofá e um líquido qualquer para pensar no vazio, e desconstruir uma ideia.

Escondido com frio, medo. À caça com fome, no escuro. Aí talvez se sinta isto tudo como inútil.

São as implicações de não ter que sobreviver. Está-se futilmente a pensar em nada.

Uma experiência mordaz, esta de escrever qualquer coisa com os pés bem no chão.

publicado por zéoliveira às 12:11
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